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Ostentação, dívidas e suspeitas de fraude colocam fazenda de casal de idosos no centro de disputa judicial em Rondônia



Defesa afirma que filho teria comprometido patrimônio dos próprios pais para sustentar padrão de vida incompatível com sua realidade financeira. Caso envolve suspeitas de falsificação documental, investigação policial e questionamentos sobre o cumprimento de decisões judiciais.


Um casal de idosos de Rondônia corre o risco de perder uma fazenda após uma disputa judicial envolvendo dívidas atribuídas ao próprio filho, F.G.G., ex-promoter de eventos que organizava a Exponorte, com shows e atrações nacionais. O caso ganhou novos contornos após o cumprimento de um mandado de imissão na posse expedido pela 4ª Vara Cível de Cacoal e executado por um oficial de Justiça acompanhado da Polícia Militar.


O advogado Samuel Costa, que representa os idosos, afirma que o patrimônio familiar teria sido comprometido em circunstâncias que envolvem suspeitas de fraude documental, abuso de confiança e negociações patrimoniais questionadas pela defesa.


A propriedade rural representa, segundo a defesa, o resultado de décadas de trabalho de um casal do campo, descrito como pessoas honestas e de reputação ilibada. Agora, os idosos enfrentam uma disputa que pode comprometer o patrimônio construído ao longo de uma vida.


Assista a entrevista da defesa explicado o caso: https://www.instagram.com/reel/DehwJ6UhKm3/?mdxt=b3IxeXh1azczdWty


Ostentação, dívidas e suspeitas de fraude contra os próprios pais


Segundo Samuel Costa, o promoter levava uma vida de ostentação, com gastos elevados e um padrão de consumo incompatível com sua realidade financeira. De acordo com a defesa, ele não dispunha de liquidez suficiente para sustentar esse estilo de vida e teria se valido da boa-fé e da confiança dos próprios pais para obter recursos e assumir compromissos financeiros.


A defesa aponta suspeitas de operações envolvendo instituições bancárias, dívidas contraídas com agiotas e falsificação de documentos públicos, que teriam sido utilizados em negociações capazes de comprometer o patrimônio dos idosos.


O caso também estaria relacionado, conforme as alegações apresentadas, a despesas com eventos, shows de artistas nacionais e apostas em jogos de azar, incluindo cassinos, plataformas conhecidas como bets e jogos on-line popularmente chamados de “tigrinho”.


As circunstâncias das operações, a origem das dívidas e a eventual participação de terceiros deverão ser esclarecidas no curso das investigações. Até que os fatos sejam comprovados, as acusações permanecem no campo das suspeitas apresentadas pela defesa.


Polícia especializada investiga o caso; Ministério Público foi comunicado


Segundo informações da defesa, os fatos estão sendo investigados pela delegacia especializada na proteção da pessoa idosa, e o Ministério Público já foi comunicado.


A apuração deverá esclarecer a autenticidade dos documentos supostamente utilizados, as circunstâncias das negociações envolvendo a fazenda e a possível ocorrência de crimes contra o patrimônio, falsidade documental, ameaça, coação, extorsão, fraude processual e outras infrações eventualmente identificadas.


Diante da gravidade das suspeitas, a defesa aponta a necessidade de investigação rigorosa para esclarecer a possível participação de outras pessoas. Eventuais operações policiais, medidas cautelares e responsabilizações dependerão dos elementos reunidos pelas autoridades e das decisões judiciais cabíveis.


Caso as condutas sejam comprovadas, os responsáveis deverão responder na medida de sua culpabilidade, respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.


Advogado questiona cumprimento de decisão judicial


Outro ponto central do caso é o cumprimento do mandado de imissão na posse da fazenda. Samuel Costa afirma que existe uma liminar suspendendo a perda do imóvel, além de um processo de interdito proibitório e de uma decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia, em segundo grau, que, segundo a interpretação da defesa, impediriam a retirada dos idosos da área.


Diante disso, o advogado questiona a compatibilidade da medida executada com as decisões judiciais que aponta como vigentes e afirma estar adotando providências para que o Poder Judiciário examine as possíveis irregularidades.


A controvérsia exige a análise do alcance de cada decisão e das circunstâncias em que os documentos e as negociações envolvendo a propriedade rural foram produzidos.


A defesa busca assegurar o cumprimento das determinações judiciais aplicáveis e impedir que os idosos sofram prejuízos patrimoniais irreversíveis enquanto os fatos são apurados.


Estatuto da Pessoa Idosa e responsabilização criminal


O advogado Samuel Costa ressalta que o Estatuto da Pessoa Idosa, instituído pela Lei nº 10.741/2003, estabelece mecanismos de proteção à dignidade, aos direitos e à integridade das pessoas idosas, inclusive diante de situações que possam envolver abuso, exploração financeira ou violação de seus direitos.


Segundo a defesa, o caso exige apuração rigorosa das suspeitas de utilização indevida da confiança familiar, comprometimento irregular do patrimônio e eventual falsificação documental.


A responsabilização criminal, caso os fatos sejam comprovados, deverá observar a participação individual de cada envolvido e as disposições do Código Penal brasileiro. A defesa também sustenta a necessidade de investigar se outras pessoas participaram das operações financeiras ou das negociações relacionadas à fazenda.


Uma vida de trabalho sob ameaça


Para a defesa, o objetivo é preservar o patrimônio do casal e garantir que os idosos não sejam penalizados por operações cuja legalidade está sendo questionada judicialmente.


Mais do que uma disputa por uma propriedade rural, o caso expõe a gravidade das consequências que dívidas, abuso de confiança e possíveis irregularidades documentais podem produzir dentro de uma família, sobretudo quando atingem pessoas idosas.


A expectativa é que as investigações avancem, que os fatos sejam esclarecidos e que eventuais responsáveis sejam submetidos à Justiça, com respeito às garantias legais.


O caso permanece sob apuração. As suspeitas deverão ser confirmadas ou afastadas pelas autoridades competentes, e a responsabilidade criminal de cada envolvido dependerá das provas produzidas e do devido processo legal.

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