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Independência do Brasil: a história das mulheres que também lutaram pela liberdade




Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica foram personagens importantes na luta contra as tropas portuguesas e ajudaram a construir uma parte fundamental da história brasileira


Quando se fala em Independência do Brasil, a primeira imagem que costuma aparecer é a de Dom Pedro às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822. A data marcou a declaração da separação política do Brasil de Portugal e se tornou um dos principais símbolos da história brasileira.


Mas a independência não aconteceu apenas naquele momento e nem foi resultado de uma única batalha.


Em diferentes regiões do país, ocorreram disputas políticas, confrontos armados e movimentos de resistência contra as tropas portuguesas. Um dos principais cenários dessa luta foi a Bahia, onde os combates continuaram mesmo depois do 7 de setembro de 1822. A vitória definitiva contra as forças portuguesas na Bahia ocorreu em 2 de julho de 1823, quando as tropas portuguesas deixaram Salvador.


E nessa história existem três mulheres que merecem destaque: Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica.


Maria Felipa: resistência popular em Itaparica


Maria Felipa de Oliveira nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia. Mulher negra, trabalhadora, pescadora e marisqueira, ela se tornou um dos símbolos da resistência popular contra as tropas portuguesas.


Segundo registros históricos, Maria Felipa participou da organização da resistência na ilha e utilizou o conhecimento que tinha da região para ajudar no combate aos portugueses. Ela liderou pessoas em ações contra as embarcações portuguesas que ameaçavam a região.


Sua história também mostra que a luta pela Independência não ficou restrita aos grandes comandantes militares ou às autoridades políticas. Pessoas comuns participaram da resistência e tiveram papel importante nos acontecimentos.


Durante muito tempo, a participação de Maria Felipa recebeu menos destaque nos relatos tradicionais sobre a Independência. Nos últimos anos, pesquisas e iniciativas de preservação da memória histórica ajudaram a recuperar o protagonismo dessa mulher negra que participou da luta pela liberdade.


Maria Quitéria: a mulher que entrou no Exército para lutar


Outra personagem marcante foi Maria Quitéria de Jesus.


Em uma época em que as mulheres tinham poucas oportunidades de participação na vida militar e política, Maria Quitéria decidiu enfrentar as regras de seu tempo.


Para participar das tropas que lutavam pela Independência na Bahia, ela utilizou roupas masculinas e entrou para o Exército com a identidade de “Soldado Medeiros”. Sua habilidade com as armas e sua atuação nos combates fizeram com que sua identidade fosse descoberta, mas ela não foi afastada das tropas.


Maria Quitéria continuou participando da luta e chegou a comandar um grupo de mulheres que também se juntou à causa.


Sua coragem chamou a atenção de Dom Pedro I, que posteriormente a condecorou. Ela se tornou uma das principais figuras femininas da Independência e, mais tarde, passou a ser reconhecida como uma das grandes heroínas da história militar brasileira.


Joana Angélica: a religiosa que enfrentou os soldados portugueses


A história de Joana Angélica de Jesus é marcada pelo sacrifício.


Religiosa e abadessa do Convento da Lapa, em Salvador, Joana Angélica enfrentou soldados portugueses que tentavam entrar no convento durante os conflitos de 1822.


Em 19 de fevereiro de 1822, ela tentou impedir a entrada dos soldados para proteger o convento e as mulheres que estavam no local. Joana Angélica acabou sendo atingida e morreu em consequência do ataque.


Sua morte transformou Joana Angélica em um símbolo da resistência contra a presença portuguesa na Bahia.


A Independência também foi feita por mulheres


A história tradicional muitas vezes destaca nomes masculinos quando fala da Independência do Brasil. Dom Pedro I, José Bonifácio e outros líderes políticos e militares aparecem com frequência nos livros e nas comemorações oficiais.


Mas a história foi muito maior.


Mulheres participaram de diferentes formas: algumas estiveram nos campos de batalha, outras organizaram resistência, ajudaram comunidades, defenderam espaços religiosos e participaram da mobilização política.


Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica representam três formas diferentes de participação feminina naquele período: a resistência popular, a atuação militar e o sacrifício em defesa de outras pessoas.


O próprio Estado brasileiro reconheceu oficialmente a importância dessas personagens. Em 2018, uma lei determinou a inscrição dos nomes de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, Sóror Joana Angélica de Jesus e Maria Felipa de Oliveira no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


7 de setembro e 2 de julho: duas datas que fazem parte da mesma história


O 7 de setembro de 1822 representa a declaração da Independência do Brasil. Porém, em algumas regiões, a luta ainda continuou.


Na Bahia, a guerra contra as tropas portuguesas prosseguiu até julho de 1823. Por isso, o 2 de julho é uma data de enorme importância para os baianos e também para a compreensão da Independência brasileira.


Foi naquele dia, em 1823, que as tropas portuguesas deixaram Salvador, consolidando a vitória brasileira na Bahia.


A Independência do Brasil, portanto, não pode ser compreendida apenas como um episódio ocorrido às margens do Ipiranga. Foi um processo que envolveu diferentes regiões, grupos sociais, militares e civis.


E entre os nomes que precisam ser lembrados estão Maria Felipa, Maria Quitéria e Joana Angélica, mulheres que, cada uma à sua maneira, ajudaram a escrever uma das páginas mais importantes da história do Brasil.


Isaque Fernandes

Repórter do site A Capital da Notícia

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