Marcos Rogério é eleito governador, Fernando Máximo e Bruno Scheid chegam ao Senado, enquanto PL conquista a maior bancada da Assembleia Legislativa
As Eleições 2026 mudaram de forma significativa o cenário político de Rondônia. O resultado das urnas colocou Marcos Rogério (PL) no comando do Governo do Estado e elegeu Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL) para as duas vagas de senador em disputa.
Marcos Rogério foi eleito no primeiro turno, realizado no dia 4 de outubro de 2026, com 537.370 votos, equivalentes a 56,86% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O vice-governador eleito é o delegado Rodrigo Camargo, do Podemos.
No Senado, Rondônia também escolheu dois representantes do PL. Fernando Máximo recebeu 570.799 votos (31,97%), enquanto Bruno Scheid alcançou 474.226 votos (26,56%). Os dois terão mandato de oito anos, de 2027 a 2035.
O resultado cria uma configuração política que deverá colocar o novo governador, os dois senadores eleitos e uma parcela importante do Legislativo estadual e federal dentro de um mesmo campo político.
Uma nova força política no Estado
O resultado das urnas levanta uma pergunta que agora passa a fazer parte do debate público de Rondônia: o que essa nova composição política poderá entregar ao Estado nos próximos quatro anos?
A resposta dependerá da capacidade de articulação entre Governo do Estado, Assembleia Legislativa, bancada federal, Senado, prefeituras e Governo Federal.
A eleição, por si só, não garante crescimento econômico ou melhoria dos serviços públicos. A partir de 2027, a população poderá acompanhar se as promessas apresentadas durante a campanha serão transformadas em obras, investimentos, empregos, infraestrutura e políticas públicas.
Entre as áreas que deverão estar no centro das cobranças estão saúde, segurança pública, educação, recuperação e ampliação das rodovias, agricultura, pecuária, geração de empregos, industrialização, infraestrutura urbana, saneamento e desenvolvimento da região amazônica.
O que esperar dos novos representantes?
O governador terá a responsabilidade de administrar o orçamento estadual e definir as principais políticas públicas de Rondônia. Já os deputados estaduais terão a função de elaborar leis estaduais, votar o orçamento e fiscalizar as ações do Executivo.
No Congresso Nacional, os deputados federais e senadores terão outra missão: defender os interesses de Rondônia em Brasília, participar da elaboração das leis federais, fiscalizar o Governo Federal e trabalhar pela destinação de recursos para o Estado.
Fernando Máximo e Bruno Scheid assumirão oficialmente os mandatos no Senado em fevereiro de 2027. Fernando Máximo já possui experiência como deputado federal e ex-secretário estadual de Saúde. Bruno Scheid chega ao Senado para seu primeiro mandato eletivo.
E a Assembleia Legislativa?
Rondônia elegeu 24 deputados estaduais para a legislatura que começa em 2027. O PL conquistou a maior bancada, com sete cadeiras.
A distribuição ficou assim:
- PL: 7 deputados;
- PSD: 3;
- PRD: 3;
- PP: 2;
- PT: 2;
- NOVO: 2;
- Republicanos: 2;
- Avante: 2;
- Podemos: 1.
A informação sobre a bancada do PL e a composição das 24 cadeiras foi confirmada na apuração final.
Entre os eleitos estão Nim Barroso, Delegado Lucas Torres, Jean Mendonça, Luizinho Goebel, Dra. Taíssa Sousa, Alan Queiroz e Wiveslando Neiva, todos do PL.
Isso significa que o partido do governador eleito terá a maior bancada individual da Assembleia, embora não possua sozinho a maioria das 24 cadeiras. A aprovação de projetos, portanto, dependerá de articulações e acordos com outras legendas.
E a bancada federal?
Rondônia terá oito deputados federais a partir de 2027.
Os eleitos são:
- Lucio Mosquini (PL);
- Coronel Chrisóstomo (PL);
- Sofia Andrade (PL);
- Cristiane Lopes (Podemos);
- Dr. Jaime Gazola (Podemos);
- Thiago Flores (União Brasil);
- Maurício Carvalho (União Brasil);
- Joliane Furia (PSD).
O PL elegeu três dos oito deputados federais de Rondônia.
É importante fazer uma distinção: não é possível classificar automaticamente todos os oito deputados como "de direita" apenas pelo partido, porque as classificações ideológicas variam e podem mudar conforme a pauta. O dado objetivo é que três cadeiras ficaram com o PL, enquanto as demais foram distribuídas entre Podemos, União Brasil e PSD.
O que pode fazer Rondônia avançar?
O novo cenário político abre espaço para uma agenda de desenvolvimento, mas o resultado dependerá das decisões tomadas pelos eleitos.
Um dos principais desafios será transformar a força política conquistada nas urnas em capacidade de articulação e resultados concretos.
Rondônia possui uma economia fortemente ligada ao agronegócio, à pecuária, ao comércio, aos serviços e à produção rural. A infraestrutura de transporte, especialmente as rodovias, continua sendo estratégica para o escoamento da produção.
Outro ponto é a industrialização. Quanto maior a capacidade de transformar matérias-primas produzidas em Rondônia em produtos com maior valor agregado, maior pode ser o potencial de geração de empregos e renda dentro do próprio Estado.
Também estão entre as áreas que podem receber atenção a regularização fundiária, agricultura familiar, tecnologia, turismo, energia, saneamento, saúde regionalizada e melhoria da infraestrutura dos municípios.
E se as promessas não forem cumpridas?
Essa talvez seja uma das principais questões que o eleitor deverá acompanhar durante o próximo mandato.
Durante uma campanha eleitoral, candidatos apresentam propostas e assumem compromissos. Depois da posse, cabe à população acompanhar o que efetivamente será realizado.
Se determinado projeto não sair do papel, a pergunta será simples: qual foi o motivo?
Faltou dinheiro? Houve dificuldade de aprovação na Assembleia? O Governo Federal não liberou recursos? Faltou projeto? Houve problema administrativo? Ou a promessa simplesmente não foi prioridade?
Essas respostas precisarão ser apresentadas de maneira clara à sociedade.
A cobrança não deve ser feita apenas contra o governador. Deputados estaduais, deputados federais e senadores também deverão prestar contas de sua atuação, especialmente sobre recursos destinados ao Estado, projetos apresentados, votações importantes e compromissos assumidos durante a campanha.
Quando, onde, como e por quê?
Quando: a eleição aconteceu em 4 de outubro de 2026, com a posse dos novos representantes prevista para o início de 2027.
Onde: em Rondônia, envolvendo os 52 municípios do Estado. O TRE-RO informou que 990.313 eleitores compareceram às urnas, correspondendo a 78,29% do eleitorado apto.
Como: por meio do voto eletrônico, com escolha para deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. As eleições proporcionais para deputados obedecem ao sistema de distribuição de cadeiras entre partidos e federações.
Por quê: para escolher os representantes que terão a responsabilidade de governar, legislar e fiscalizar durante os próximos anos.
O grande desafio começa agora
A eleição terminou, mas começa uma nova etapa: a cobrança da população.
Rondônia terá um governador eleito com votação expressiva, dois novos senadores do PL, uma Assembleia Legislativa com o PL como maior bancada e uma bancada federal composta majoritariamente por partidos de centro e direita.
Esse cenário poderá facilitar determinadas articulações políticas, mas também aumenta a responsabilidade dos eleitos.
A partir de 2027, a população poderá cobrar respostas para problemas antigos: estradas, saúde, segurança, educação, emprego, infraestrutura, saneamento, produção rural e desenvolvimento econômico.
O eleitor fez sua escolha. Agora será a vez dos eleitos mostrarem, na prática, o que pretendem fazer com a força política recebida das urnas.
A principal pergunta para os próximos anos será direta:
Rondônia conseguirá transformar força política em desenvolvimento, ou as velhas dificuldades continuarão sendo justificadas por novos argumentos?
Essa resposta não será dada durante a campanha. Será construída — ou cobrada — ao longo do mandato.
Matéria de Isaque Fernandes para o site A Capital da Notícia.



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