Pesquisas realizadas em uma formação com formato de embarcação, no leste da Turquia, tentam descobrir se há estruturas artificiais enterradas no local; até agora, porém, não existe confirmação científica de que o material seja a Arca de Noé
Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia voltou a chamar a atenção do mundo. No leste da Turquia, pesquisadores estão realizando novos estudos na chamada Formação Durupinar, uma enorme estrutura natural que, vista de cima, apresenta um formato semelhante ao de uma grande embarcação.
O local está situado na província de Ağrı, próximo à cidade de Doğubayazıt e à região do Monte Ararat. Há décadas, a formação é apontada por alguns pesquisadores e grupos religiosos como uma possível localização da Arca de Noé.
Em 2026, entretanto, a investigação ganhou uma nova etapa. Um projeto liderado pela Universidade Sivas Cumhuriyet, com autorização das autoridades turcas, passou a utilizar técnicas modernas para investigar o que existe abaixo da superfície. Entre os métodos estão radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica, levantamento por LiDAR, coleta de amostras e perfurações.
Mas uma pergunta continua sem resposta:
Aquela formação realmente é a Arca de Noé?
Até o momento, a resposta científica é: não há comprovação.
O que existe é uma investigação em andamento.
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Quando surgiu a história da Arca de Noé?
A história de Noé está registrada principalmente nos capítulos 6 a 9 do livro de Gênesis, no Antigo Testamento.
Segundo o relato bíblico, a humanidade havia chegado a uma situação de grande corrupção e violência. Deus teria decidido enviar uma grande inundação para destruir a vida sobre a Terra, mas determinou que Noé construísse uma embarcação para preservar sua família e os animais.
A construção deveria ser feita com madeira, possuir compartimentos internos e receber uma camada de material impermeabilizante.
A Bíblia também apresenta medidas específicas para a embarcação: 300 côvados de comprimento, 50 côvados de largura e 30 côvados de altura.
Como o côvado era uma medida antiga e podia variar, a conversão não é absolutamente precisa. Utilizando aproximadamente 45 centímetros por côvado, chega-se a cerca de:
- 135 metros de comprimento;
- 22,5 metros de largura;
- 13,5 metros de altura.
Algumas traduções e cálculos utilizam medidas ligeiramente diferentes, chegando a aproximadamente 133 a 137 metros de comprimento.
Ou seja, mesmo considerando as diferenças na conversão, a embarcação descrita no texto bíblico seria muito grande.
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Qual era o tamanho da Arca de Noé?
A proporção descrita em Gênesis é de 300 por 50 por 30 côvados.
Isso significa uma relação aproximada de:
6 partes de comprimento para cada 1 parte de largura e 0,6 parte de altura.
O texto também menciona três níveis ou pavimentos.
Essa informação é importante porque os pesquisadores que estudam a Formação Durupinar chamam atenção para o fato de que o comprimento da estrutura se aproxima da ordem de grandeza atribuída à Arca bíblica.
Essa semelhança, entretanto, não é suficiente para provar que uma estrutura seja uma embarcação antiga.
Uma formação natural também pode apresentar comprimento, largura e formato semelhantes aos de um objeto construído pelo ser humano.
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Quantas pessoas estavam dentro da Arca?
De acordo com o relato bíblico, eram oito pessoas.
Noé entrou na embarcação acompanhado de sua esposa, seus três filhos — Sem, Cam e Jafé — e as três esposas de seus filhos.
O livro de Gênesis apresenta essa entrada da família na Arca, enquanto a Primeira Carta de Pedro afirma posteriormente que oito pessoas foram salvas através das águas.
Portanto, segundo a tradição bíblica, não havia centenas ou milhares de sobreviventes dentro da embarcação.
Eram quatro casais:
Noé e sua esposa; Sem e sua esposa; Cam e sua esposa; Jafé e sua esposa.
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E quantos animais foram levados?
Essa é uma das partes mais discutidas da narrativa.
O texto bíblico fala na preservação de animais segundo suas espécies ou categorias, mencionando pares de animais e uma quantidade maior para determinados animais considerados puros.
O número exato de animais não é apresentado como uma lista completa no texto.
Por isso, não é correto afirmar que a Bíblia estabeleça um número específico de animais dentro da Arca.
A questão de como alimentar, acomodar e cuidar de todos os animais durante o período da inundação também é um dos principais pontos debatidos por estudiosos religiosos, historiadores, biólogos e pesquisadores.
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Onde estaria a suposta Arca?
É justamente nesse ponto que aparece a Formação Durupinar.
A estrutura fica no extremo leste da Turquia, na região de Doğubayazıt, na província de Ağrı, próxima à fronteira com o Irã.
Ela está em uma área montanhosa próxima ao Monte Ararat, região que há muito tempo está associada às tradições sobre o local onde a Arca teria parado.
A formação foi identificada em imagens aéreas em 1959, quando o militar e cartógrafo turco İlhan Durupınar chamou atenção para o formato incomum da estrutura. Desde então, o local passou a receber expedições e pesquisadores interessados na hipótese da Arca.
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Por que esse lugar chama tanta atenção?
O principal motivo é o formato.
Vista de determinados ângulos, a Formação Durupinar lembra uma embarcação gigantesca.
Além disso, seu tamanho aproximado chamou a atenção de pessoas que comparam a estrutura com as medidas descritas em Gênesis.
Ao longo das décadas, diferentes pesquisadores afirmaram ter encontrado no local indícios que poderiam estar relacionados a uma antiga embarcação.
Entre as alegações estão estruturas semelhantes a paredes, corredores, compartimentos e materiais que alguns interpretaram como possíveis restos de madeira.
Porém, essas interpretações são contestadas.
Estudos geológicos anteriores concluíram que a formação pode ser explicada por processos naturais. Uma pesquisa publicada em 1996 por Lorence Collins e David Fasold interpretou a estrutura como uma formação geológica natural, associada a uma dobra chamada sinclinal de duplo mergulho, capaz de produzir uma aparência semelhante à de um barco.
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O que mudou em 2026?
É justamente essa parte que reacendeu a discussão.
Em 2026, as autoridades turcas autorizaram um novo projeto de investigação na Formação Durupinar, coordenado pelo professor Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet.
O trabalho reúne especialistas de diferentes áreas e utiliza equipamentos modernos para tentar compreender a estrutura interna da formação.
O objetivo não é simplesmente olhar para o formato da montanha e dizer que se trata da Arca.
Os pesquisadores estão tentando responder a uma pergunta muito mais importante:
Existe alguma evidência física de que aquilo foi construído artificialmente?
Para tentar responder, estão sendo utilizadas técnicas capazes de enxergar características subterrâneas sem depender apenas da observação da superfície.
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O que os pesquisadores encontraram no subsolo?
As pesquisas anteriores com radar de penetração no solo identificaram estruturas lineares e algumas formas geométricas no interior da formação.
Segundo a equipe que defende a necessidade de continuar investigando o local, análises realizadas em dados obtidos em anos anteriores indicaram possíveis corredores e espaços semelhantes a compartimentos.
Também foram realizados testes de solo.
A equipe responsável pelo projeto informou que amostras coletadas dentro da formação apresentaram quantidade significativamente maior de material orgânico do que amostras retiradas de áreas externas.
Mas existe uma diferença fundamental entre encontrar matéria orgânica e encontrar madeira de uma embarcação antiga.
Uma coisa não prova automaticamente a outra.
Material orgânico pode ter diversas origens naturais.
Por isso, os pesquisadores precisam determinar exatamente sua composição, idade, origem e contexto geológico.
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As perfurações chegaram a que profundidade?
Essa é uma das informações que mais despertou interesse na atual investigação.
Durante a etapa de pesquisas de 2026, foram realizadas perfurações para retirar amostras do interior da formação.
Informações divulgadas sobre o projeto indicam que algumas sondagens alcançaram aproximadamente 18 metros de profundidade, permitindo a retirada de material do subsolo.
Também foram relatadas cavidades contendo lama e água.
Segundo informações divulgadas pela equipe ligada à investigação, em algumas perfurações realizadas dentro da formação ainda não havia sido identificada rocha-mãe sólida até as profundidades investigadas.
Isso, entretanto, não significa que uma Arca tenha sido encontrada a 18 metros de profundidade.
As perfurações são justamente parte do processo utilizado para descobrir o que existe naquele local.
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Encontraram madeira petrificada?
Essa é uma das alegações que precisa ser tratada com muito cuidado.
Durante as pesquisas recentes, foram divulgadas informações sobre a presença de material orgânico e camadas que os pesquisadores esperam estudar em laboratório.
Também surgiram relatos de dificuldades durante as perfurações, inclusive sobre uma camada que a equipe interpretou como potencialmente relacionada a material antigo.
Mas até o momento não existe uma confirmação científica independente de que tenha sido encontrada madeira trabalhada pertencente à Arca de Noé.
Essa diferença é fundamental.
Encontrar material orgânico enterrado não é o mesmo que encontrar uma peça de madeira cortada, encaixada e preservada de uma embarcação.
Para uma descoberta desse tipo ganhar grande força arqueológica, seria necessário demonstrar, entre outras coisas, que o material é realmente madeira, que foi trabalhado por seres humanos, que pertence a uma estrutura construída e que possui idade compatível com a hipótese.
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E as supostas paredes e corredores?
Esse também é um dos pontos mais controversos.
Os estudos realizados com radar identificaram determinadas linhas e ângulos dentro da formação.
Pesquisadores ligados à hipótese da Arca interpretam alguns desses padrões como possíveis divisões internas da antiga embarcação.
Entretanto, geólogos que estudaram o local apresentam uma interpretação diferente.
Segundo essa linha de análise, estruturas geológicas podem produzir padrões regulares, fraturas, camadas e espaços que, vistos através de equipamentos ou imagens, podem parecer construções humanas.
Por isso, o simples aparecimento de linhas retas ou ângulos em uma imagem subterrânea não é suficiente para comprovar a existência de uma embarcação.
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Existe uma explicação geológica para o formato de barco?
Sim.
Essa é uma das principais objeções apresentadas por geólogos.
O estudo de Collins e Fasold concluiu que a Formação Durupinar possui características de uma estrutura geológica natural. A interpretação apresentada relaciona seu formato a camadas rochosas deformadas e posteriormente modificadas pela erosão.
Nesse cenário, o aspecto semelhante ao de um barco seria resultado da própria natureza.
É importante destacar que essa interpretação existe há décadas e não desapareceu simplesmente porque novas pesquisas foram iniciadas.
Na realidade, uma das finalidades da atual investigação é justamente colocar à prova as diferentes hipóteses.
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Então a Arca foi encontrada ou não?
Ainda não.
Até setembro de 2026, não existe confirmação científica de que a Formação Durupinar seja a Arca descrita na Bíblia.
O que existe é uma estrutura real, com formato incomum, que está sendo estudada.
Também existem resultados preliminares considerados interessantes pelos pesquisadores que defendem novas investigações.
Por outro lado, há estudos geológicos anteriores que apontam uma origem natural para a formação.
Portanto, dizer que “a Arca de Noé foi encontrada” seria antecipar uma conclusão que as pesquisas ainda não estabeleceram.
O mais correto é dizer que:
“Pesquisadores investigam uma formação na Turquia considerada por alguns como possível localização da Arca de Noé.”
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Por que continuam procurando a Arca?
A busca pela Arca de Noé não é apenas uma questão religiosa.
Ela também envolve história, arqueologia, geologia e o estudo das antigas tradições sobre grandes inundações.
Narrativas sobre grandes enchentes aparecem em diferentes culturas antigas do Oriente Médio.
Além do relato bíblico de Noé, existem histórias muito antigas relacionadas a personagens como Utnapishtim, da tradição mesopotâmica.
Por isso, pesquisadores e estudiosos há muito tempo discutem se essas histórias poderiam guardar alguma memória cultural de grandes enchentes ocorridas no passado.
Isso, entretanto, é diferente de afirmar que uma determinada formação geológica seja necessariamente a Arca bíblica.
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Onde a Arca teria parado segundo a Bíblia?
O livro de Gênesis afirma que a Arca repousou sobre os “montes de Ararat”.
Essa expressão gerou séculos de procura.
Um ponto importante é que o texto bíblico não apresenta necessariamente a localização moderna do Monte Ararat como uma coordenada específica.
A região histórica chamada Ararat abrangia uma área mais ampla.
Por isso, a tentativa de identificar exatamente o local onde a Arca teria parado continua sendo objeto de debate.
A Formação Durupinar fica na região do leste da Turquia associada às tradições sobre Ararat, mas isso, por si só, não comprova a identificação.
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Qual é a profundidade do artefato?
Até o momento, não é possível afirmar que exista um “artefato” enterrado em determinada profundidade.
O que existe é uma formação geológica que está sendo investigada em profundidade.
As sondagens realizadas em 2026 chegaram a aproximadamente 18 metros em determinados pontos, segundo informações divulgadas pela equipe do projeto.
As amostras retiradas dessas profundidades serão submetidas a análises para determinar sua natureza e composição.
A profundidade, portanto, não deve ser confundida com a localização comprovada da Arca.
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O que ainda falta descobrir?
Para que a hipótese ganhe uma confirmação arqueológica realmente forte, seria necessário encontrar evidências muito mais claras.
Entre elas poderiam estar:
- madeira antiga comprovadamente trabalhada pelo ser humano;
- encaixes ou peças estruturais;
- pregos, ferragens ou elementos de construção identificáveis;
- restos de compartimentos construídos artificialmente;
- materiais preservados em contexto arqueológico;
- datação compatível com a época proposta;
- evidências que não possam ser explicadas por processos naturais;
- análises independentes realizadas por diferentes equipes.
Uma descoberta dessa magnitude precisaria ser reproduzível, documentada e analisada por especialistas de diferentes áreas.
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Quando poderão surgir respostas mais definitivas?
O projeto atual não terminou com uma conclusão definitiva.
A etapa de campo de 2026 foi realizada entre o final de junho e setembro, e o material coletado deverá passar por análises laboratoriais.
A Universidade Sivas Cumhuriyet informou que pretende concluir as pesquisas e apresentar os resultados à comunidade científica ao longo de 2027, incluindo trabalhos e apresentações internacionais.
Isso significa que os próximos meses serão importantes para determinar o que realmente existe no interior da formação.
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Fé e ciência: duas perguntas diferentes
A história da Arca de Noé possui enorme importância religiosa para judeus, cristãos e muçulmanos, embora as tradições apresentem diferenças.
A ciência, entretanto, trabalha com outro tipo de pergunta.
A questão científica não é determinar se uma pessoa deve acreditar ou não no relato bíblico.
A questão científica é:
Existe uma estrutura construída pelo ser humano naquele local?
E, se existe:
Qual é sua idade, qual era sua função e quem a construiu?
Essas perguntas dependem de evidências físicas.
Por isso, a existência da tradição religiosa e a identificação arqueológica de um objeto específico são questões que precisam ser analisadas separadamente.
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Um dos maiores mistérios ainda permanece aberto
A Formação Durupinar continua sendo um dos locais mais conhecidos relacionados à busca pela Arca de Noé.
Seu formato incomum chamou a atenção há décadas. Estudos anteriores apontaram uma explicação geológica natural, enquanto novos pesquisadores afirmam que determinados dados subterrâneos justificam uma investigação mais profunda.
Agora, com equipamentos modernos, novas perfurações e análises laboratoriais, a expectativa é descobrir se existe alguma evidência que possa mudar a compreensão sobre o local.
Por enquanto, porém, a conclusão permanece em aberto.
A Arca de Noé não foi comprovadamente encontrada.
O que existe é uma formação de grandes dimensões, localizada no leste da Turquia, que continua sendo investigada por pesquisadores interessados em descobrir se seu formato é apenas uma obra da natureza ou se esconde alguma estrutura construída no passado.
A resposta definitiva dependerá dos resultados das análises.
E talvez seja justamente isso que mantenha viva, depois de milhares de anos, uma das histórias mais conhecidas da humanidade: a busca pela embarcação que, segundo a Bíblia, atravessou uma grande inundação e levou oito pessoas e animais para um novo começo.
Matéria de Isaque Fernandes para o site A Capital da Notícia
www.acapitaldanoticia.com.br


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