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Governo brasileiro em alerta com possível classificação de facções como terroristas pelos EUA

 


Em Brasília, diplomacia tenta conter iniciativa que poderia mudar radicalmente cooperação e repercussões jurídicas entre Brasil e Estados Unidos

BRASÍLIA — O governo federal acompanha com preocupação uma iniciativa em discussão na Casa Branca para classificar duas das maiores facções criminosas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras, uma designação usada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos com implicações jurídicas e estratégicas significativas.

Segundo autoridades americanas, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são considerados “ameaças significativas à segurança regional” em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crimes transnacionais — visão que abre caminho, nos bastidores, para enquadrá-los formalmente como organizações terroristas.

Essa avaliação tem gerado preocupação no Palácio do Planalto, onde líderes políticos e diplomáticos avaliam que uma eventual listagem pelo governo do presidente Donald Trump poderia alterar profundamente a cooperação bilateral em segurança e até criar precedentes para ações extraterritoriais, algo que, nas palavras de analistas, poderia ser interpretado como risco à soberania nacional.

Na avaliação brasileira, as facções — embora responsáveis por violência e lideranças criminosas — não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação nacional, que exige motivações como xenofobia, preconceito ou fins ideológicos, critérios que Brasília afirma não observados nas atividades dessas organizações.

Debate diplomático e resposta brasileira
O tema foi tratado em conversas entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em uma tentativa de dissuadir Washington de adotar formalmente a classificação. Diplomatas brasileiros pedem clareza sobre intenções e ressaltam que não houve confirmação oficial de que uma proposta será formalmente apresentada ao Congresso americano, embora exista avaliação interna no Departamento de Estado.

A possível listagem de PCC e CV como terroristas pelos Estados Unidos voltaria à agenda diplomática no encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ainda em negociação de data — possivelmente na segunda quinzena de março — e que pode ser impactada pela atual escalada de tensões internacionais.

Repercussões políticas internas
Internamente, a proposta dividiu opiniões. Parlamentares e pré-candidatos políticos — entre eles o senador Flávio Bolsonaro — manifestaram apoio à iniciativa americana, argumentando que a classificação poderia bloquear financiamentos e debilitar o poder dessas facções.

Mas no âmbito governamental e entre analistas em Brasília, prevalece a expectativa de que qualquer mudança de classificação seja abordada com cautela, para evitar efeitos colaterais que vão além da cooperação antinarcóticos, incluindo interpretações legais que poderiam ser usadas em ações judiciais ou políticas exteriores que extrapolem os limites da soberania nacional.

O Departamento de Estado dos EUA, por sua vez, tem repetido que não antecipa decisões sobre classificações terroristas, mantendo apenas a avaliação de que PCC e CV representam riscos à segurança regional — sem confirmar se a inclusão formal na lista de organizações terroristas estrangeiras será adotada.

Impactos no plano bilateral
Especialistas em relações internacionais destacam que essa disputa discursiva pode influenciar diretamente temas como cooperação em segurança, extradições, bloqueio de ativos e a forma como crimes transnacionais são combatidos entre Brasil e Estados Unidos. A tensão diplomática também traz à tona debates mais amplos sobre soberania, legalidade internacional e modelos de enfrentamento ao crime organizado.

À medida que Washington estuda os próximos passos, o governo brasileiro intensifica sua interlocução diplomática para evitar que uma classificação unilateral mude as bases da cooperação bilateral em segurança pública e política externa — um tema que promete permanecer no centro das relações entre os dois países nas próximas semanas.

Site A capital da noticia 

Reportagem de Isaque Fernandes 

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