Medida de Abilio Brunini questiona cobrança de impostos sem contrapartida de infraestrutura e coloca outras gestões municipais sob pressão
A proposta do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, de isentar do IPTU moradores que vivem em ruas sem asfalto vai muito além de uma decisão administrativa. A iniciativa escancara um problema histórico da gestão pública brasileira: a cobrança de impostos sem a entrega do mínimo de infraestrutura urbana.
Em diversas cidades do país, o cidadão paga caro em tributos, mas continua convivendo com ruas de barro, falta de drenagem, poeira no verão e lama no inverno. Mesmo assim, o boleto do IPTU chega todos os anos, como se os serviços básicos estivessem plenamente garantidos.
Ao propor a isenção, Cuiabá levanta uma pergunta incômoda, porém necessária: por que pagar imposto cheio por um serviço que nunca chegou à porta de casa? A medida expõe administrações que tratam o IPTU como obrigação automática, ignorando a contrapartida que justifica a cobrança.
Rua sem asfalto, sem infraestrutura e sem dignidade, mas com imposto em dia. Esse cenário, comum em muitas periferias urbanas, passa a ser questionado a partir do gesto do prefeito cuiabano, que cria um contraste direto com gestões que priorizam arrecadar, mesmo penalizando quem já vive à margem da cidade formal.
No fim das contas, a proposta incomoda porque rompe com uma lógica antiga: a de que o povo sempre paga, mesmo quando o poder público falha. E quando um exemplo como esse surge, a comparação se torna inevitável. Se é possível em Cuiabá, por que não em outros municípios?
A iniciativa de Abilio Brunini reacende o debate sobre justiça fiscal, infraestrutura urbana e responsabilidade dos gestores, colocando prefeitos e governos diante de uma cobrança que vem da própria população.
Reportagem de Isaque Fernandes
para o site A Capital da Notícia

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