Encontro virtual do bloco latino-americano terminou sem posicionamento oficial e expôs divergências políticas entre os países-membros

Após a reunião da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), realizada neste domingo, 4, o Brasil manteve sua posição contrária à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e à atuação militar dos Estados Unidos no país vizinho.

O encontro ocorreu de forma virtual e a portas fechadas, reunindo representantes de 33 países da América Latina e do Caribe. Apesar da expectativa por um posicionamento conjunto, a reunião foi encerrada sem nota pública oficial, o que, segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela CNN, evidenciou divergências políticas internas dentro do bloco sobre o episódio envolvendo a Venezuela.

Divergência entre países da CELAC

Durante a reunião, o Itamaraty, representado pelo chanceler Mauro Vieira, reforçou a posição histórica do Brasil de defesa da soberania dos países e da não ingerência externa. O governo brasileiro se posicionou contra a captura de Maduro e contra qualquer ação militar estrangeira em território venezuelano.

Esse entendimento já havia sido apresentado horas antes do encontro da CELAC, em uma nota conjunta assinada por Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, que defendeu uma solução pacífica e diplomática para a crise na Venezuela, sem interferência externa. O documento também expressou preocupação com qualquer tentativa de controle governamental imposta por forças estrangeiras.

Lula critica ação dos Estados Unidos

O tom adotado pelo governo brasileiro também foi reforçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, 3, mesmo dia em que ocorreram os ataques dos Estados Unidos em território venezuelano. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a ação norte-americana como uma “afronta gravíssima”, afirmando que os EUA ultrapassaram uma linha inaceitável nas relações internacionais.

CELAC e o papel regional

Criada em 2010, no México, a CELAC tem como objetivo promover a integração latino-americana e caribenha, além da coordenação política, econômica e social entre os países da região. A ausência de um posicionamento oficial após a reunião reforça o desafio do bloco em atuar de forma unificada diante de crises internacionais de grande impacto.

A situação da Venezuela segue no centro do debate diplomático regional, enquanto o Brasil mantém sua defesa por diálogo, soberania nacional e soluções pacíficas, sem ações militares externas.

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